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Equoterapia
e Fonoaudiologia
Por:
Karina Cury C. Macedo
A Equoterapia
vem proporcionando excelentes resultados no que diz respeito a aprendizagem,
memorização, concentração, cooperação,
socialização, organização do esquema
corporal, aquisição das estruturas têmporo-espaciais,
além de estimular o equilíbrio e regular o tônus
muscular.
Mas,
o que é Equoterapia? A Associação Nacional
de Equoterapia (ANDE - BRASIL) em 1999, define essa terapia como
"(...) um método terapêutico e educacional que
utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar na áreas
de saúde, educação e equitação,
buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras
de deficiência e/ou com necessidades especiais".
Na
Equoterapia o cavalo envia informações sensoriais
ao praticante que por sua vez busca respostas adaptativas apropriadas
a estes estímulos. O objetivo não é ensinar
técnicas de equitação específica e sim
estabelecer melhores funções neurológicas e
melhor processamento sensorial.
A utilização
do cavalo, como instrumento terapêutico nos proporciona um
movimento que é tridimensional, variável, rítmico
e repetitivo. A variedade de movimentos disponíveis pelo
cavalo favorece o terapeuta a graduar a quantidade de informações
sensoriais a serem enviadas ao praticante, associadamente a outras
técnicas terapêuticas para chegar a um objetivo comum.
Mas
como essas informações sensoriais podem de fato ajudar?
O conhecimento é algo estabelecido através de conexões
(sinapses) realizadas entre os neurônios. As informações
chegam ao cérebro de forma "pulverizada" (em várias
regiões ao mesmo tempo) através de vias de input e
essas informações "marcam" redes neuroniais.
As "marcas" são feitas pelas sinapses através
de estímulos como desafios, novas situações,
adaptações, etc. Neurônios estimulados e utilizados,
fixam-se como instrumento do pensamento durante um período
crítico e, com isso, fazem novas conexões para que
outras informações sejam armazenadas. As conexões
formadas podem levar a uma mudança na arquitetura cerebral
o que causa uma série de novos ajustes, dando-se, assim,
o desenvolvimento do cérebro. Os neurônios aumentam
ou diminuem sua atividade, de acordo com a excitação
ou inibição de impulsos elétricos com outros
neurônios a eles conectados. (Cielo, 1998).
Conforme
o tipo de informação recebida por um neurônio,
ele se "especializará" naquele tipo de informação,
produzindo um determinado neurotransmissor, o qual, vai reagir de
determinada forma para aquele estímulo. Desta forma, o cérebro
se molda de acordo com o padrão formado pelas redes de neurônios
e é capaz de juntar, sempre que necessário, os fragmentos
de informações em uma imagem mental, a qual, podemos
identificar. (Damásio, 1998).
A partir
daí, podemos fazer a ligação com a Equoterapia,
no momento em que as adaptações fazem parte desta
terapia, pois, os circuitos cerebrais "(...) não são
apenas receptivos aos resultados da primeira experiência,
mas repetidamente flexível e suscetíveis de serem
modificados por experiências contínuas. Alguns circuitos
são remodelados várias vezes ao longo da vida do indivíduo,
de acordo com as alterações que o organismo sofre
(Damásio,1998).
Assim,
podemos ter, na Equoterapia, uma criança com dificuldade
de equilíbrio. Durante a sessão, existe a necessidade
de manter-se equilibrada sobre o dorso do cavalo. A necessidade
de equilíbrio também aparece quando precisamos transferir
o peso de uma perna para a outra, para andarmos. As conexões
feitas para haver equilíbrio são provalvemente, as
mesmas, porém, se modificam de acordo com a necessidade do
momento. Isso se dá por acreditar-se que a marcação
das redes ocorre em função da estimulação
constante, a qual, quando ativada, forma um padrão de ativação
elétrica correspondente àquela informação
solicitada (Avila).
Enquanto
estamos montando, o cérebro está em constante atividade
para que os ajustes posturais, motores, respiratórios, etc,
sejam feitos. Isso coloca o praticante em alerta e sua atenção
trabalha a nosso favor, permitindo que sejam feitas as estimulações
necessárias.
E o
que tem a ver a Fonoaudiologia com tudo isso? No acaso da Fonoaudiologia,
procura-se propor situações de comunicação.
Aproveitando o cavalo e o ambiente terapêutico diferenciado,
podemos trabalhar desde o aumento do vocabulário até,
em casos mais graves, gestos comunicativos.
Para
que ocorra a produção da fala também é
necessário a adequação do tônus postural,
ritmo, posicionamento correto de cabeça e corpo, sem esquecer
a importância da coordenação fono-respiratória.
E é o movimento tridimensional que o cavalo produz que influenciará
diretamente nestes músculos, controlando a postural, os músculos
da cavidade oral, os músculos da laringe e a respiração.
Além
disso, como já citado anteriormente, no momento em que estamos
cavalgando, ocorre uma intensa atividade sináptica, e com
os sinais de input e autput ocorrendo a todo momento, as informações
às quais o praticante está exposto, fixam-se nas redes
com maior facilidade.
Através
destas explicações pode-se agora entender o porque
que a Equoterapia vem proporcionando excelentes resultados beneficiando
vários portadores de deficiências e/ou necessidades
especiais.
*
Karina Cury C. Macedo é Fonoaudióloga,
Instrutora de Equitação e Equoterapeuta
Karina
Cury C. Macedo - e-mail
Ribeirão Preto - SP
Telefones: (16) 623-6161 ou (16) 9991-1107
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