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Equoterapia:
0 emprego do cavalo como motivador terapêutico
Por:
Dr José Torquato Severo
Os
aspectos históricos são considerados importantes por apresentarem
a saga desse binômio cavaleiro-cavalo desde os tempos antes de Cristo
e com diversas observações desse exemplar animal, além de todas
as outras ligações culturais com os homens desde a sua domesticação
. Hipócrates de Loo, (458-370 a . C ,já aconselhava os exercícios
a cavalo como benéficos à saúde do homem. Mas em Samuel Theodor
de Quelmatz (1697-1758), de Lipsia, foi quem fez, pela primeira
vez, um a referência ao movimento tridimensional do dorso do cavalo
e de seus movimentos multidirecionais.
Em
1782, entre outros médicos, J.C. Tissot descreveu as contra-indicações
da equitação e também, analisou as formas dos movimentos típicas
da equitação: ativa, passiva, ativo-passiva e considerava a andadura
ao passo do cavalo como a mais eficaz para a terapia desejada.
Ao
longo da história da Equoterapia, há outros inúmeros trabalhos e
citações a respeito de seus benefícios e contra-indicações precisas.
Mas os trabalhos realmente científicos não são numerosos.
Em
1979, Woods referiu também que, quando o cavalo anda, o seu centro
de gravidade se desloca em movimentos tri-dimensionais de modo similar
ao do ser humano , quando caminha. Como resultados, Mackay-Lyons
e colaboradores, em 1984, verificaram que clientes com esclerose
múltipla e com dificuldades para deambular haviam tido progresso
em velocidade e alternância de passos, quando submetidos à Equoterapia
durante 9 semanas/2 vezes por semana. "Eles tinham progredido de
uma forma que nenhum método teria conseguido" disseram os mesmos
autores.
Segundo
Rasch,1989, a maneira como um cavalo anda é proveniente da combinação
das características de conformação (altura e peso), atitude, idade
e adestramento anterior. E quando aprende novas tarefas, como trabalhar
em Equoterapia, específicos treinamentos do cavalo são necessários
para organizar as necessárias respostas para ele funcionar como
um instrumento terapêutico .
Em
1992 , na Universidade de Delaware, Fleck defendeu tese de "master"
sobre os mecanismos do caminhar humano e do cavalo. Ele usou um
filme d 16 mm para comparar os movimentos pélvicos normais de 24
crianças normais, enquanto caminhavam ao passo normal e enquanto,
ao lado, um cavalo andava ao passo habitual. Ele encontrou que o
deslocamento linear das pelvis das crianças durante o caminhar e
ao andarem a cavalo, eram diferentes em magnitude nas não , nos
movimentos, nos tempos e nas seqüenciais organizdasa. Isto é, os
tempos e as seqüências dos passos do ser humano e do cavalo são
similares, mas não a magnitude, em parte, porque o cavalo é um animal
muito maior.
Freeman
em 1992, usou um tipo de análise cinemática quantitativa para medir
os movimentos da pelve de um cavalo ao andar ao passo. Suas medidas
revelaram o seguinte: A pelve do cavalo se move em 3.92 graus no
plano sagital, 6,98 graus no coronal e 9,08 no transverso. Estas
medidas dos movimentos pélvicos do cavalo são achados semelhantes
aos parâmetros encontrados por Perry e Sutherland para os movimentos
pélvicos dos homens adultos.
Sutherland,
em 1980, analisando 186 crianças normais, achou que havia deslocamentos
pélvicos medindo de 2 a 3. 5 graus no plano sagital, 10 graus no
plano frontal ( 5 graus no início do movimento e 5, no final) e
aproximadamente, 20 graus no plano transverso (10 graus de cada
lado, em relação ao plano frontal).
Além
da similaridade dessas comparações e movimentos, a cadência dos
passos do cavalo são muito similares à do homem A média de passos
do homem é aproximadamente de 110-120 / minuto e um cavalo grande
caminha à uma velocidade de 100-120 passos por minuto, (segundo
Barnes, 1993). Durante uma sessão de Equoterapia de 30 minutos,
o cavaleiro será exposto e terá oportunidade de desenvolver diversas
habilidades motoras. Segundo, Whamem 1992, um cavalo que ande na
velocidade de 110 passos por minuto, terá a oportunidade de dar
3.000 passos durante a sessão. Isto proporsionará ao cavaleiro centenas
de deslocamentos específicos para se manter na posição montada adequada,
equlibrando-se na linha média em harmonia com os movimentos do cavalo.
Além disso, inúmeros movimentos serão transmitidos ao cavaleiro
pelos movimentos multidirecionais imprimidos ao cavalo.
De
acordo com Citterio, em 1982, e Riede em 1988, as metas principais
da Equoterapia são: - a estabilidade postural automática em alinhamento
com o centro de gravidade. E quando o cavalo começa a mover-se e
a pelve do cavaleiro a mover-se com uma inclinação posterior , haverá
um realinhamento do tronco sobre a pelve, a cabeça mover-se-á com
uma suave flexão e os olhos tenderão a ficar na horizontal. Esta
é uma posição funcional que leva o cavaleiro a se adaptar aos movimentos
do cavalo e interagir com o ambiente.
O estudo
por partes de movimentos conjugados entre cavaleiro e cavalo é essencial
para que se aplique a Equoterapia:
1.
Guiar o cavalo por uma linha longa e reta é o objetivo inicial do
tratamento. Isto provocará no cavaleiro, movimentos de flexão e
extensão. Isto facilita o controle de tronco e os movimentos da
pelve para frente e para trás ao acompanhar os movimentos do cavalo,
com transições entre impulsos fortes e fracos, alongando e encurtando
o passo do cavalo. Para um muito bom controle de flexão/extensão
do cavaleiro, as transições entre o andar-parar-andar do cavalo
são muito empregadas.
2.
Os movimentos no plano frontal auxiliam para as flexões laterais
do cavaleiro. Serve para ele alongar e encurtar a sua musculatura
do tronco. As atividades de encurtar e alongar o passo do cavalo
servem para os deslocamentos do peso do cavaleiro montado. Ao guiar
o cavalo em curva, haverá um aumento nos movimentos de rotação da
sua pelve. E segundo Citterio (1985) estes movimentos do cavalo
facilitarão as flexões laterais da pelve e do tronco do cavaleiro.
Se o cavalo andar em círculo, o cavaleiro inclinar-se-á para o lado
externo da curva por causa do impulso da força centrifuga aplicada
nele. Ele experimenta um deslocamento do peso para fora da linha
média, que o faz alongar o tronco desse lado e contraí-lo do outro
lado. O deslocamento do peso do cavaleiro auxilia o cavalo a andar
ao passo por facilitar-lhe os movimentos de trocas de patas. É o
mesmo que acontece com o cavaleiro ao andar a pé.
3.
Curvas suaves podem ser combinadas com mudanças de direção do cavalo
para incrementar a alteração do peso do cavaleiro através da linha
média (lombo do cavalo) e provocar flexões laterais de um lado para
outro. Quanto menor e mais fechada a curva provocará mais movimentos
do cavaleiro, porque o componente rotacional do movimento do cavalo
torna-se-á maior. Os movimentos rotacionais na pelve e no tronco
do cavaleiro podem ser incrementados com os movimentos laterais
do cavalo. O cavalo movimenta-se para a frente com distintos movimentos
em diagonal (à direita e à esquerda) ao andar ao passo principalmente
e as suas flexões laterais são percebidas como rotacionais pelo
cavaleiro, porque a anca do cavalo e os quadris do cavaleiro formam
um ângulo de 9O º graus entre essas estruturas.
4.
O cavalo deve ser conduzido ora com passos largos, ora com passos
curtos, e com alterações de velocidade, porque isso proporcionará
ao cavaleiro, necessidades de controle de tronco e equilíbrio na
direção anterior e posterior. Em todos estes movimentos durante
a sessão de Equoterapia, o cavaleiro é ativamente, estimulado e
reage com retificações posturais automáticas (inconscientes) e sem
relações corticais cerebrais, segundo Citterio,1985. O cavaleiro,
apesar de ter uma participação nessas atividades de forma inconsciente,
nada impede que o instrutor reforce informações e solicitações para
correções volitivas ou cognitivas sobre como montar bem. Schimidt,1988,
afirma que o cavaleiro passa a prever, a antecipar e a seguir mecanismos
de ajustes posturais a cavalo.
5.
Assim, a chave para se entender os efeitos dos três componentes
dos movimentos do cavalo ao passo é necessário compreender-se o
valor deles sobre o cavaleiro.
1º)
As aceleração / desaceleração dos movimentos do cavalo influenciam
inclinações anteriores e posteriores da pelve e do tronco do cavaleiro.
Quando o cavalo realiza a fase acelerada do movimento do passo
(levantando e movendo membro posterior para a frente), a pelve
e o tronco do cavaleiro se deslocam, inclinando-se para trás e
quando o cavalo firma o membro posterior no solo na fase de desaceleração,
o cavaleiro inclina a pelve e o tronco para a frente.
2º)
No momento em que o cavalo realiza um movimento de rotação da
anca ao trocar os membros posteriores, o cavaleiro realiza um
movimento de flexão lateral da pelve.
3°)
O terceiro movimento componente do passo ocorre quando o cavalo
realiza a fase de elevação e deslocamento para a frente do membro
posterior, o que provoca uma flexão do seu tronco. Este movimento
produz rotação do tronco e da pelve do cavaleiro.
Estes
movimentos do cavalo produzem no tronco e pelve do cavaleiro: rotação
anterior da pelve, deslocamento para frente e flexão lateral, quando
os membros do cavalo agem diretramente sobre ele ao se deslocarem.
Até hoje, nenhum aparelho foi inventado ou contruído para replicar,
com perfeição, os movimentos tridimensionais e multidirecionais
do cavalo sobre o cavaleiro.
Segundo
Engel, outra idéia importante em Equoterapia, é entender que uma
pessoa montada num cavalo não é um simples passageiro. Ela deve
guiar o cavalo e fazê-lo andar em variadas direções e velocidades,
pois os movimentos rítmicos do cavalo e suas influências são considerados
os principais fatores da Equoterapia.
*
José Torquato Severo é médico neurologista, professor universitário,
Mestre em Educação e Cel Cav R1 do Exécito Brasileiro
Centro
de Equoterapia Osorio
Av. Bento Gonçalves, 3080, Partenon - Porto Alegre - RS
Telefone: (51) 3330-4541
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