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O papel do Instrutor de Equitação na Equoterapia

Por: Ângela Simas Andrade de Oliveira

Sabemos que existe um tripé mínimo para a prática da Equoterapia. o elemento sem o qual esta atividade seria completamente impossível é o Instrutor de equitação. Parte do suporte essencial, o instrutor ou equitador, como alguns preferem chamar é o principal responsável pelo cavalo, sua escolha, seu manejo e outros tantos aspectos que iremos enumerar adiante.

Antes de falar em instrutor de equitação ressalto que nem sempre os que não são diplomados por cursos em instituições militares devem ser impedidos de atuar numa equipe. Algumas virtudes inatas à pessoa devem ser levadas em conta, além de suas habilidades técnicas e conhecimentos sobre o cavalo. Ressaltamos que a paciência e a habilidade em tratar com crianças e pessoas portadoras de necessidades especiais é mais importante que títulos de campeonatos. Em certa ocasião fui impedida de participar da equipe de palestrantes de um curso porque "não tinha feito Curso de Equitação e não era "Espora de Ouro", desculpa que já escutei muitas vezes por pessoas que ignoravam ou não reconheciam a experiência de mais de 30 anos de picadeiro com as crianças e alunos recusados pelos instrutores "oficiais"das hípicas onde trabalhei.

Definir as funções de um instrutor de equitação na equipe é uma coisa séria e muito distinta, mas tentaremos de uma certa maneira definir algumas delas. Conhecer os tipos de deficiência e como lidar com elas é parte importante de sua "bagagem técnica" e deve ser orientado pelos profissionais da área de saúde da equipe.

É primordial que o instrutor de equitação tenha conhecimento suficiente para:

a) escolher os cavalos adequados para a equoterapia;
b) treinar cada animal, para a montaria em rampa, trapézio, banco, etc O cavalo deverá aceitar a montaria pelos dois lados.Este também será preparado para aceitar a movimentação do cavaleiro, exercícios, mudança de posição na sela, sem alterar-se.
c) ensinar os membros da equipe a montar, conduzir o cavalo em várias andaduras e na montaria acompanhada, em sela, manta ou selote, com ou sem estribos, conforme o planejamento feito anteriormente.Este aspecto é importantíssimo, pois uma equipe deve ser bem instruída na sua montaria, a fim de fazer um rodízio no atendimento de cada praticante do programa de Hipoterapia.
d) exercitar cada cavalo, acostumá-los com equipamentos, materiais ou brinquedos utilizados pela equipe durante a sessão.
e) escolher em conjunto com a equipe o animal e o material a ser usado, levando em conta as características do praticante e as do cavalo;
f) orientar os auxiliares-guia e os side-walkers (uso este nome para definir os acompanhantes laterais) a respeito da maneira correta de guiar o cavalo à mão, à guia ou outro modo definido previamente pela equipe; g)orientar os responsáveis a manter em perfeito estado o material de montaria, orientando quanto à sua conservação e limpeza.
g) verificar antes da montaria o estado de saúde de cada animal, a colocação dos arreios e a limpeza do mesmo.Cabe ao instrutor verificar o estado dos cavalos e das cocheiras, orientando os funcionários no trato com estes cavalos.
h) receber os praticantes juntamente com a equipe, orientando a chegada e a ajuda de todos, no caso dos praticantes que ensilham seus cavalos. Verificar cada um antes da montaria e orientar o praticante sobre a maneira acertada. Elogie sempre um trabalho bem feito!
i) discutir com os outros membros da equipe cada progresso, detalhes e atitudes dos praticantes, observando seu desenvolvimento sobre o cavalo. Definir metas e métodos para alcançá-las.

Poderíamos enumerar muitas outras funções do equitador, são inúmeras, podemos afirmar que cabe a ele a maior parcela da responsabilidade pela segurança e integridade física do praticante, se pudéssemos dividir a responsabilidade em "quotas", pois o convívio com o cavalo exige muitos cuidados e disciplina.

Costumamos sempre fazer uma palestra sobre os cuidados que o ambiente hípico exige, direcionada aos profissionais da equipe, pais e acompanhantes, onde o equitador orienta a todos quanto à aproximação, manejo e segurança. Esta palestra independe do ensino da equitação aos demais membros da equipe técnica. Muita paciência e persistência são necessárias, talvez até teimosia para persistir. Ser prudente, não correr riscos desnecessários, ao mesmo tempo irradiar confiança no praticante. (parece paradoxal, mas é possível).Não precisamos citar a autoridade do instrutor na manutenção da disciplina no ambiente eqüestre, deve ser enérgico no cumprimento das regras de segurança que o meio exige. Afinal, todo cuidado é pouco.

* Ângela Simas Andrade de Oliveira - Instrutora de Equitação - e-mail

Este artigo é publicado com a permissão do autor. Não é permitida a reprodução parcial ou total sem prévia autorização do mesmo.