|
voltar
A
Visão da Fonoaudiologia na Equoterapia
O
uso do cavalo como instrumento facilitador na fonoaudiologia
Por:
Tatiana Lermontov
A Equoterapia
é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro
de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de Saúde, Educação
e Equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas
portadoras de deficiência e/ou de necessidades especiais (ANDE,
1999). O cavalo é utilizado como um meio de se alcançar os objetivos
terapêuticos. Ela exige a participação do corpo inteiro, de todos
os músculos e de todas as articulações.
O movimento
rítmico, preciso e tridimensional do cavalo, que ao caminhar se
desloca para frente / trás, para os lados e para cima / baixo, pode
ser comparado com a ação da pelve humana no andar, permitindo a
todo instante entradas sensoriais em forma de propriocepção profunda,
estimulações vestibular, olfativa, visual, auditiva e cinestésica.
O praticante
da equoterapia é levado a acompanhar os movimentos do cavalo, tendo
que manter o equilíbrio e coordenação para movimentar simultaneamente
tronco, braços, ombros, cabeça e o restante do corpo, dentro de
seus limites. O movimento tridimensional do cavalo provoca um deslocamento
do centro gravitacional do paciente, desenvolvendo o equilíbrio,
a normalização do tônus, o controle postural, a coordenação, a redução
de espasmos, respiração, e informações proprioceptivas, estimulando
não apenas o funcionamento de ângulos articulares, como o de músculos
e circulação sangüínea.
Na
fonoaudiologia sabemos que para produção da fala (condução da linguagem)
precisamos ter um tônus postural adequado, padrões normais de movimento,
ritmo, posicionamento correto de cabeça e corpo, controle respiratório,
coordenação fono-respiratória. O
movimento tridimensional do cavalo influencia diretamente em músculos
do controle postural, nos músculos da cavidade oral, nos músculos
da laringe e nos músculos da respiração. Portanto, temos a ação
direta do cavalo favorecendo na adequação de tônus, da postura,
da sensibilidade, da propriocepção e da respiração.
Em
paralelo, temos o profissional de fonoaudiologia atuando na equipe
de Equoterapia. Com seus conhecimentos ele vai procurar adaptar
os exercícios da sua área para a sessão de Equoterapia, de acordo
com as necessidades de cada paciente, aproveitando a estimulação
no meio ambiente e do cavalo, proporcionando uma terapia lúdica
e prazerosa.
Os
exercícios articulatórios podem ser realizados desde o momento que
se pede ao paciente para jogar um beijo para o cavalo se locomover,
assim como o estalar de língua, que pode representar o barulho do
animal andando. Durante toda a sessão, usa-se da musicoterapia e
das onomatopéias para estimulação de fala, da linguagem e do eriquecimento
de vocabulário.
Outro
aspecto trabalhado pelo profisional da fonoaudiologia é a Psicomotricidade.
O deslocamento do cavalo impõe ao praticante um movimento doce,
ritmado, repetitivo e simétrico. Para manter o equilíbrio, o tônus
muscular deve adaptar-se alternadamente ao tempo de repouso e de
atividade. Significa reconhecer uma atitude corporal pelo senso
postural, depois reajustar sua posição. Com isso, ele é conduzido
a uma melhor compreensão de seu esquema corporal. Os exercícios
psicomotores não são um fim em si mesmos, mas um meio para atingir
a integração do sujeito no meio físico e social, trabalhando a relação
que se estabelece entre a consciência do sujeito e o mundo que o
cerca.
Diversos
exercícios psicomotores podem ser utilizados na Equoterapia para
ajudar na reabilitação.
A coordenação
motora engloba os movimentos amplos, finos, e a dissociação de movimentos.
Já de início, ao montar o cavalo, estamos trabalhando movimento
amplo e dissociação, pois o praticante tem que lançar a perna direita
por cima do dorso do animal. Jogar bola, abraçar, pegar na orelha
ou no rabo do cavalo, assim como dar banho e escovar são alguns
exemplos para movimentos amplos e dissociação de movimentos. Estes
últimos são também importantes na relação afetiva que a criança
começa estabelecer com o animal, proporcionando melhora na auto-estima
e auto-confiança, independência e senso de responsabilidade. O segurar
a rédia com as mãos já estimula os movimentos finos, como fazer
trança e pegar pequenos objetos presos na crina do cavalo ou então
pegar folhinhas das árvores, visto que o trabalho é feito em ar
live, o que ajuda na moticidade fina. A estimulação do esquema corporal
é feita na mesma forma do consultório com suas devidas adaptações,
através de nomeação, função e comparação das partes dos corpo do
animal com o da criança. Posteriormente, consegue-se verificar a
imagem com desenhos, que são feitos sobre a garupa do cavalo.
A lateralidade
também já começa a ser estimulada quando o praticante monta, pois
normalmente subimos pelo lado esquerdo do animal. Adaptamos basicamente
os mesmos exercícios na Equoterapia. Guiar o cavalo sozinho, por
exemplo, já requer uma noção de lateralidade para que não se erre
o $caminho estabelecido pelas terapeutas.
Por
ser um trabalho ao ar livre, as percepções olfativa e auditiva são
estimuldas junto a natureza. O relinchar do cavalo, a buzina do
carro e o som da ferradura do animal, assim como o cheiro do estrume,
da comida, do remédio são mostrados ao praticante. Todas as funções
intelectivas, como memória, atenção, análise e síntese, organização
do pensamento, orientação e organização espacial e temporal, figura-fundo,
percepção visual, relação espacial, coordenação viso-motora, ritmo,
estão sendo estimuldas durante qualquer tipo de exercício. Dependendo
da necessidade de cada praticante, uma função será mais enfatizada
através de atividades específicas e adaptadas.
Na
Equoterapia se faz necessária a integração de uma equipe transdisciplinar
onde é fundamental o conhecimento sobre a patologia, como também
sobre os efeitos da estimulação advindas do movimento tridimensional
do animal no praticante. É preciso também ter habilidade suficiente
para entender as necessidades deste, facilitando o processo da terapia.
A
Fonoaudióloga, como integrante desta equipe transdisciplinar, tem
sua atuação na avaliação e diagnóstico do praticante, verificação
e encaminhamento para exames específicos, quando necessário, além
de, juntamente com a equipe, traçar o processo terapêutico, os planos
de sessão específicos da fonoaudiologia, orientar e informar os
pais sobre sua atuação na equipe, trocar informações entre outros
profisionais da área fonoaudiológica que atendam o praticante fora
do setting equoterápico e fazer reavaliações constantes.
Todo
trabalho com o ser humano é melhor realizado quando diferentes profissionais
trabalham cada um em sua disciplina, mas com objetivo geral semelhante,
buscando a coesão, a complementação e o enriquecimento do tratamento.
Cabe à fonoaudióloga utilizar o cavalo como um recurso terapêutico,
aplicando seus conhecimentos para desenvolver uma variedade de benefícios
físicos, mentais, sociais, educacionais e comportamentais.
*
Tatiana Lermontov é Fonoaudióloga, sócia do
Centro de Equoterapia Pratique
Centro
de Equoterapia Pratique - e-mail
Rua Oscar Romeu Casa Grande, 26 - Maria Paula - Pendotiba - Niterói
- RJ.
Telefones: (21)2611-5626 e (21) 9691-6646 - Tatiana Lermontov
Este
artigo é publicado com a permissão do autor. Não
é permitida a reprodução parcial ou total sem
prévia autorização do mesmo.

|